quarta-feira, julho 25, 2007

HUISE UP???

Nunca acreditei em dar conselhos, nem mesmo como lições de vida.
Não se dão, não se pedem, conquistam-se ou apreendem-se como carga que se recolhe à beira da estrada, consoante a disponibilidade ou capacidade de cada um.
À parte de tudo isso, enjoy...

sábado, julho 14, 2007

AOS AMORES (Summer of'85)


Lord how young we were…

sexta-feira, junho 22, 2007

AOS AMORES (5)


"A woman with two faces " - Mark Chagall

Um dia chamei-lhe princesa.
Princesa guerreira.
Não sei se logo que a conheci… talvez uns minutos depois.
Delicada, suave, com porte.
A personificação das personagens de contos infantis.
Mas princesas, há muitas! Não sabiam?
Há-as afectadas e inseguras, as que são frágeis e dependentes, as conformadas e pouco esclarecidas.
As princesas que são “sapas”, as que são “melgas”, todo um reino animal de altezas reais.
Mas esta, é diferente.
Inteligente e culta, amante de poesia, música e arte: é uma princesa com “heterónimas”…
Quando o sol lhe incide no olhar de certa forma, consegue ver-se outra(s) a espreitar lá de dentro.
Quando certos odores lhe estimulam as narinas, pode transfigurar-se inesperadamente. Certos sons, provocam nela efeitos imprevistos.
Guerreira, porque sempre foi revolucionária, inconformada, lutadora, povo.
Guerreira porque é uma sobrevivente, uma vencedora, porque é uma das nossas.
Parabéns princesa V.

segunda-feira, junho 18, 2007

CHÁ E BISCOITOS


Sempre que entro no gabinete de uma colega, fico “hipnotizada” por uma folha de papel com um desenho feito pela sua filha e uma frase copiada de local desconhecido.
Não sei que filósofo a produziu, mas a sua lógica imbatível fascina-me.
Lembra-me o pragmatismo e a sabedoria que só a idade acarreta, enfim, recorda-me a minha avó, que completa hoje 96 anos, e que ainda seria capaz de dizer:

“Não faças gestos dramáticos nem solenes discursos, faz simplesmente o chá e vai buscar os biscoitos.”

segunda-feira, maio 28, 2007

DINHEIRO?

Hoje acordei estupidamente rica…
Eu, que sempre tive uma má relação com dinheiro, que não sou de “lhe” fazer contas, nem poupada.
Não sei investi-lo, e nem cobrá-lo de ninguém e não gosto sequer muito de lhe tocar, sei basicamente gastá-lo.
Esta minha incompatibilidade deixa-me por vezes frustrada e com a absoluta certeza que nunca serei rica, por mérito próprio.
Todas as ideias que já tive para “fazer” dinheiro, consistiam sobretudo em projectos criativos, desafios pessoais que uma vez testados, me satisfaziam e escusavam de ser realmente concretizados.
Isto faz de mim, no contexto actual uma nulidade, um fracasso. Paciência!
Depois há aquela conversa que tempo é dinheiro e coisa e tal, mas nem assim.
O tempo escorre-me por entre os dedos e a sensação de insatisfação, de incumprimento é asfixiante. Passam-se dias, semanas, meses e o ritmo só acelera, ao ponto de, sem exagero, temer o colapso.
Mas hoje… hoje, acordei estupidamente RICA!
Depois de semanas, dias horas e minutos, gastos em intermináveis projectos e tarefas de não fazer ganhar dinheiro, de esgotar forças, de lutar contra obstáculos à esquerda e à direita, sei que nunca vou conseguir ser boa a realizar capital, especular, investir, vender.
A não ser… investir em pessoas, vender sonhos e a realizar mirabolantes projectos. Especular com a criatividade, energia e a comoção que se encontram nas artes e nos jovens de todas as idades.
Vivi nas últimas semanas emoções profundas com parceiros que não vou esquecer, que me fizeram… RICA.
Não o vou esquecer, prometo!
Obrigada 12º H e Pequenos Cantores

domingo, abril 15, 2007

DAQUELA VEZ...

Daquela vez o amor seria diferente.
Pegou nela ao colo e mergulhou-a delicadamente na infusão de água quente e óleos essenciais.
Sentiu o seu arrepio de prazer e viu-a afundar-se no líquido fumegante.
A esponja tornou-se o seu instrumento de trabalho, esquadrinhando toda a superfície daquele corpo abandonado aos seus cuidados.
Lavou-lhe o cabelo que amava desenredar com os dedos, com o seu aroma preferido.
Cuidava dela porque a sabia exausta e carente, como um animalzito recolhido na rua em noite de tempestade.
Sentia-se cuidador e predador a um só tempo, mas hoje o amor ia ser diferente.
Enrolou-a no roupão e sentiu que ela tinha peso de anjo.
Passo-lhe óleo pela pele, como já a tinha visto fazer às crianças. Achou que o fez bem.
De volta aos lençóis, e almofadas, pousou-a e pareceu-lhe ver a “Maja Desnuda”.
Sentiu a sua excitação crescer, mas ignorou-se voluntariamente. Hoje era só ela que contava.
Ela sorria-lhe, agora mais relaxada, menos tímida. Sorria-lhe dengosa mas ainda com uma sombra de cansaço no olhar. Percebia-se que tinha lutado muito tempo lá fora, podiam perceber-se-lhe arranhões na alma.
Ele amou-a ainda mais assim, dependente dos seus cuidados.
Hoje esqueceria o quanto a desejava, e como o seu corpo reagia àquela mulher.
Aproximou-se dela começou a percorre-la determinado.
Agora ele era só mãos, nariz e língua que bisbilhotavam ao milímetro o corpo transformado em território desconhecido.
Como se fosse a primeira vez, montes e vales, desertos e florestas eram reconhecidos com minúcia pelos “batedores” que lutavam para não se perderem de amores e deslumbramento. Apenas para pensar na missão de regaste do território.
A pele eriçada, os estremecimentos involuntários, e suspiros muito ténues, apenas acicataram a sua determinação.
Batalhou pelo retesar de músculos e crispar das mãos, pela intumescência dos seios, pela rendição das coxas, pela capitulação absoluta.
Do animal indefenso, nada ia restando, havia agora uma fêmea no sua lugar, esfaimada, manhosa, exigente, puramente animalesca.
Viu-lhe lampejos de pantera no olhar, movimentos de serpente nos quadris e adivinhou-lhe intenções de louva-a-deus, no sexo.
- Não! Mostrou-lhe, imobilizando-a firmemente contra o colchão, hoje vai ser diferente!
E ela fingiu adormecer...
Fingiu não sentir a pressão das mãos dele nas suas coxas, dos seus lábios, nas suas nádegas, da sua língua no seu sexo.
Fingiu que dormia enquanto ele se fazia aluno e mestre na arte de a saborear, na tarefa de a confundir, de a consumir aos pedaços, de a chupar como caramelos, de a trincar suavemente como crosta de chocolate estaladiço.
Ela fingiu e rugiu... ronronou e capitulou...
Adormeceu de tanto tentar fingir, corpo abandonado no lençol revolto, membros dispostos em desordem, cabelos cheirosos de sexo e suor, faces rosadas da jornada.
Ele levantou-se, afastando-se da cama para a observar melhor.
Encostou-se à parede fria e sentiu num só arrepio: frio, contentamento, desejo e redenção.
Não mais se policiou.
As mãos fortes que tinham agora o cheiro dela, percorreram o caminho até ao desejo dele.
Fez por se lembrar como ela lhe tocara tantas vezes.
Sabia que eram ambos que estimulavam o seu sexo faminto.
Os seus odores misturados, o sabor dela na sua boca, a visão das curvas em abandono, a lembrança dos beijos selvagem trocados outras vezes, o vai e vem da mão que repousava no colchão mas que ele sentia quente apertado-lhe o pénis dilatado, mas sobretudo a visão dos olhos que semicerrados fingiam dormir e o sorriso que o espicaçava, para continuar, bastaram para se espraiar naquele dia em que o amor foi diferente.

NY (2) Descobertas surpreendentes

1ª Mesmo que se seja americano, supostamente meio bronco (leia-se +/ – ignorante) pode ser-se : educado, cordial, solícito, simpático, os Nova-iorquinos são-no, polícias e não só!


2ª Os “Manolo” não são absolutamente do outro mundo…

3ª Os “Cosmopolitans” são mesmo de gritos! (pelo menos de muitas gargalhadas…)

4ª Como é possível não chorar de raiva, fazer birra e bater nos circundantes quando não podemos fazer aquilo para que viajámos milhares de quilómetros: ver a cara do “Guga”… ou o tempo não chega para um dia inteirinho no MOMA e uma noite inteirinha de jazz?


5ª Não se dorme mal nas cadeiras dos musicais...

segunda-feira, abril 09, 2007

NY (1) Constatações evidentes.

1ª There’s no place like home (onde quer que ela seja…);

2ª Porque os americanos não assinaram (e jamais assinarão)Kyoto;

3ª O turismo constitui a peregrinação “religiosa” da actualidade, quer pela procura da observação/vivência do “transcendente”, quer na caça de relíquias “sagradas”, (volta Teodorico que estás perdoado…);

4ª Toda a cidade cheira a comida/ gordura/ restaurante chinês, e os hot-dogs são uma m....(volta Psicológico que estás perdoado*)

5ª O dobro das mulheres, (8) não significa o dobro do Sexo e da Cidade.

6ª Nem só os diamantes são eternos (tão eternos quanto…são: a música, a arte, o engenho do homem);


7ª Aquela coisa do limite de peso das bagagens está feita para a “malta” se meter a comprar trapos e esquecer a estúpida pretensão de comprar livros e outras “parvoíces culturais”;

...E VOLTEI!

quinta-feira, março 29, 2007

FUI!!!

quarta-feira, março 07, 2007

THESE ARE A FEW OF MY FAVOURITE THINGS:













Ser a menina do papá… fazer bricolage com ele.
Ver com ele: cinema, futebol e fórmula um.

Beijos e abraços de filho…

beijos e abraços de mãe.
Chamar aos filhos nomes de bichinhos,
ser chamada por nomes de bichinhos.
Abraços apertadinhos de amigos.

Que me beijem quando já estou a dormir,
fazer sexo de manhãzinha, à tarde ou pela madrugada.
Frutos vermelhos.

Conversar madrugada dentro,
deitar com o som dos pássaros.
Dormir sestas.

Jardins de Pedra japoneses.
O jardim suspenso do Museu das Janelas Verdes.
Paisagens graníticas ou vastas e áridas.
San Francisco e casas na praia de Malibu.

As planícies do Alentejo, na Páscoa.
Lírios e magnólias.
Braçadas de flores em jarras transparentes.

English marmalade.
Manteiga a derreter em pão quente,
cozinha de fusão, sushi e cozido à portuguesa.

Tomar banho com água quente,
ficar longos minutos...
debaixo do chuveiro, imóvel (ou quase).
Tomar banho acompanhada.

Fazer surpresas, cometer loucuras.
Conduzir sem destino em dias de sol,
chá com scones em dias de chuva.

Lingerie de renda em cores pastel,
Kimonos de seda,
Eau de Soir e Truth.

Cheiro de bebé pequeno,
de terra molhada,
de hortelã e de coentros.

O som de dedos a roçar em cordas de viola,
Violoncelos que gemem, trompetes e saxofones.

Sakamoto, Piazzolla, Godinho...
Jazz de fusão, blues, reggae e pop dos anos 80.


Estar sozinha, sem ver ninguém...
pelo menos um dia inteiro.


Sorrir a desconhecidos e crianças,
receber de volta sorrisos.

Festas de pijama,
luas descomunais,
dormir com várias almofadas.

No Inverno:
edredão de penas e sacos de água quente,
tapetes felpudos à frente da lareira,

vinho tinto ou chocolate quente e marshmallows.
sentar em cima dos pés no sofá...
e mantinhas, mantinhas, mantinhas.
Passeios em praias desertas

No Verão, bandanas e 1 biquini novo.
Água no corpo, água no copo.
A piscina Bento, no meio dos pinhais.
Ser a primeira a chegar à praia,
ou a última a partir…
Ler 1 livro em dois dias, máximo três.

Melancia e figos frescos.
Margaritas com sal.
Nadar no mar em noites quentes de luar…




sexta-feira, março 02, 2007

DEPOIS DO SILÊNCIO















É suficientemente pacífico que a vida se estrutura por ciclos ou fases, quase comuns a todos os elementos de uma mesma sociedade e realidade cultural

É também certo que são simultâneos em grupos etários semelhantes.
Esta partilha que temos com aqueles a quem chamam de “pares” e que nós chamamos amigos, poderá talvez constituir um dos elos mais fortes, de partilha, de identificação de cumplicidade.


Brincadeiras e disparates, mal de amores, o primeiro beijo, dores de crescimento, dores de cotovelo, ir acampar, a primeira vez, substâncias hilariantes, relaxantes e excitantes, faculdade, primeiro emprego, sair de casa, (não necessariamente nesta ordem), torrentes de emoções…

Depois casamentos, projectos, filhos, sarilhos, separações, divórcios, tudo previsível ou nada previsto, tudo comum.
Agora (ou antes, ou depois), os quarenta e ter de usar óculos… Agora, (ou antes, ou depois), stress e depressões…

Por estes dias, as palavras de ordem no meu círculo são: MUITO, TRABALHO, FALTA, TEMPO, INSÓNIA…
Chega a ter piada, quando entramos à vez, cada um mais atrasado, nos locais de reunião.
- Então?
- Epá, muito trabalho, falta de tempo, insónia…
Quando entra o último, já o coro repete, entre risos de “partilha e identificação”: …balho… empo… sónia!!!
Depois discutem-se métodos adoptados, científicos ou alternativos: nomes complicados de indutores de sono, vinho tinto, whisky ou sexo…, quê?? Sexo?? Tenho lá tempo??

Causas e sintomas, todos identificamos, acabando por não reflectir efectivamente nos efeitos mais particulares, em cada um, ou será em todos? Pois claro! não temos tempo…
Tempo para nós, tempo para dar, tempo para ser, fazer, pensar, criar.
No entanto, the answer lies on us, como sempre!
Imersa em trabalho, tarefas pendentes, preocupações várias, cérebro ligado a mil, na resolução de problemas, não só não me ouvia pensar, como me convenci que não pensava nada, não achava nada, não criava nada.

Desagradável esta sensação de me ter tornado num robot… operante, em vigília, incapaz de produzir criativamente.
Ser uma espécie de ser congelado, num invólucro humanóide…
De madrugada, no meio duma insónia, lutando contra as intermináveis checklists, palavras surgem e agrupam-se, criam-se esquemas, formam-se sentidos.
Da terra de Sigmund, veio a tranquilidade:

Estou cansada, mas ainda viva e pensante. VIVA!


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

AOS AMORES (revisitado)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

EVIDÊNCIAS IDIOTAS

















Os teus beijos são como murros no estômago...
Fazem-me perder o equilíbrio.

SILÊNCIO!!! Estou Surda...

Especialmente hoje, tenho que gritar: ESTOU SURDA!

Não consigo mais ouvir e ler, não consigo mais falar.
Nem pensar, nem dormir. Nem amar e ser delicada.
O barulho é ensurdecedor!!!
Perturba-me, violenta-me.
Tento desesperadamente fugir-lhe mas não consigo. Procuro a paz no silêncio e não a consigo encontrar.
Sei que estão todos lá fora, ou cá “dentro”, por aí, não se lhes pode fugir.
Sei que o tumulto é inevitável, agora e depois. Não o consigo suportar.
Estou demasiado estrangulada para falar, alto, rápido, acaloradamente ou desbragadamente como é costume quando me apaixono e me perco.
Estou demasiado cansada para falar com propriedade, como quando inspirada.
Estou demasiado deprimida, frustrada, decepcionada, incrédula, cansada, cansada…
Pensei que já tudo era diferente. Pensei que já tanto se tinha caminhado.
Idiota, burra, ingénua, ou pior… é o que eu sou!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Senti saudades

Juro que tentei. Mesmo! Acreditem.
Mas infelizmente nada. Andei por aí de olhos e ouvidos abertos.
Vi, li, ouvi e pensei. No entanto, nada.
O humor conseguiu fazer-me rir, a poesia e as imagens lograram comover-me.
As injustiças a intolerância e a imbecilidade não puderam deixar de me revoltar.
Visitei amigos, recebi amores, revi paixões e ódios de estimação.
Mas nada, sempre nada.
Bem… nada, talvez não. Se andei, ouvi, vi, li, pensei, ri, comovi-me, revoltei-me, visitei, recebi e revi… apenas não escrevi.
E disso senti a falta.

domingo, janeiro 14, 2007

CONSELHOS E ASSIM...

Foi-me aconselhado por uma aluna minha.
Pode constiutir um delicioso manual de instruções para a vida humana.
Obrigado pelo conselho, Catarina!

sexta-feira, dezembro 15, 2006

REVIVALISMO OU PRENDA DE NATAL?

Juro que o achado não foi propositado, apesar da onda de revivalismo que alastra estes dias pelos blogs, desde referências a brinquedos, a guloseimas e outras memórias de idades mais doces.
Estava entregue à actual animação da TV quando me ocorreram duas palavras dos antigos “desenhos animados”. Digitei-as no You Tube, e voilá, fez-se magia ou foi Natal (já nem sei…)
Chapi Chapo: 16 episódios e genérico. Verdadeiramente delicioso!
Deixo aqui este como prenda de Natal antecipada para a geração dos 40, especialmente para a minha revivalista preferida (volta depressa que temos umas sessões de visionamento agendadas), mas se quiserem mais já sabem onde os encontrar. Por mim, vou gravá-los para assistir com a geração dos sub-13.
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Chapi Chapo
Patapo
Chapo chapi
Patapi
Biribibi
Rabada dada
(petite voix:) dada !!

Pacha pacho
Pitipo
Pacho pacha
Pitipa
Biribibirabadadida
(rires)

La, lala lala lalaa lala
La, lala lala lalaa
La lalalala lala

Chapi Chapo
Patapo
Chapo chapi
Patapi
Biribibi
Rabada dada

Pacha pacho
Pitipo
Pacho pacha
Pitipa
Biribibirabadadida

sábado, dezembro 02, 2006

PERFEITO (2)

NADA É ABSOLUTAMENTE PERFEITO

foto ff retalhada por syl

quarta-feira, novembro 08, 2006

PERFEITO (1)


foto ff retalhada por syl

O meu amor é perfeito para mim.
Assenta-me bem. Não me fica largo nem apertado.
É confortável quase todas as horas do dia, o meu amor.
Não me lembro se o foi sempre, mas desconfio que sim.
O meu amor, não se sente ameaçado pela minha força, nem sobrecarregado pela minha fragilidade.
Conforma-se com os meus defeitos e tenta modificar as minhas virtudes.
O meu amor, não tem cara de anjo, porque eu não gostaria.
Mas tem olhos que faíscam de diabólica bondade.
É gentil, meigo e louco furioso, de uma só vez.
Quando estou menstruada, compra comprimidos e faz-me chá.
Acredita nas minhas fitas, mas esquece-se de me apaparicar.
Não me elogia amiúde, mas baba-se quando me observa furtivamente.
O meu amor não me olha de cima porque não é alto, nem de baixo, mesmo quando uso saltos. Passa-me o braço pela cintura e aperta-me bem ao seu lado.
Dá-me beijos quando já estou a dormir e telefona-me por nada.
Faz planos para mim, como se fosse meu pai, e aprende o que lhe ensino como se fosse meu filho.
Zanga-se comigo, porque mereço, e aprendeu a pedir desculpa porque eu gosto.
Tem o tamanho e o perfil certo para entrar em mim. Preenche-me profundamente, o meu amor.
Digo que é perfeito para mim, porque é o meu amor.