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quinta-feira, janeiro 03, 2008

BOM QUÊ???



Se mais alguém me desejar um bom ano eu grito ou mordo!
Juro!

Importam-se de se deixar de polidez social e desejar apenas, uma boa vida, um bom dia, ou um sorriso na próxima esquina? É que eu agradecia feliz, sem ter vontade de vos mandar à ...

*Refira-se que a autora está feliz, nada deprimida nem em carência de chocolate, apenas carece de encontrar um pouco mais de originalidade.

domingo, abril 15, 2007

DAQUELA VEZ...

Daquela vez o amor seria diferente.
Pegou nela ao colo e mergulhou-a delicadamente na infusão de água quente e óleos essenciais.
Sentiu o seu arrepio de prazer e viu-a afundar-se no líquido fumegante.
A esponja tornou-se o seu instrumento de trabalho, esquadrinhando toda a superfície daquele corpo abandonado aos seus cuidados.
Lavou-lhe o cabelo que amava desenredar com os dedos, com o seu aroma preferido.
Cuidava dela porque a sabia exausta e carente, como um animalzito recolhido na rua em noite de tempestade.
Sentia-se cuidador e predador a um só tempo, mas hoje o amor ia ser diferente.
Enrolou-a no roupão e sentiu que ela tinha peso de anjo.
Passo-lhe óleo pela pele, como já a tinha visto fazer às crianças. Achou que o fez bem.
De volta aos lençóis, e almofadas, pousou-a e pareceu-lhe ver a “Maja Desnuda”.
Sentiu a sua excitação crescer, mas ignorou-se voluntariamente. Hoje era só ela que contava.
Ela sorria-lhe, agora mais relaxada, menos tímida. Sorria-lhe dengosa mas ainda com uma sombra de cansaço no olhar. Percebia-se que tinha lutado muito tempo lá fora, podiam perceber-se-lhe arranhões na alma.
Ele amou-a ainda mais assim, dependente dos seus cuidados.
Hoje esqueceria o quanto a desejava, e como o seu corpo reagia àquela mulher.
Aproximou-se dela começou a percorre-la determinado.
Agora ele era só mãos, nariz e língua que bisbilhotavam ao milímetro o corpo transformado em território desconhecido.
Como se fosse a primeira vez, montes e vales, desertos e florestas eram reconhecidos com minúcia pelos “batedores” que lutavam para não se perderem de amores e deslumbramento. Apenas para pensar na missão de regaste do território.
A pele eriçada, os estremecimentos involuntários, e suspiros muito ténues, apenas acicataram a sua determinação.
Batalhou pelo retesar de músculos e crispar das mãos, pela intumescência dos seios, pela rendição das coxas, pela capitulação absoluta.
Do animal indefenso, nada ia restando, havia agora uma fêmea no sua lugar, esfaimada, manhosa, exigente, puramente animalesca.
Viu-lhe lampejos de pantera no olhar, movimentos de serpente nos quadris e adivinhou-lhe intenções de louva-a-deus, no sexo.
- Não! Mostrou-lhe, imobilizando-a firmemente contra o colchão, hoje vai ser diferente!
E ela fingiu adormecer...
Fingiu não sentir a pressão das mãos dele nas suas coxas, dos seus lábios, nas suas nádegas, da sua língua no seu sexo.
Fingiu que dormia enquanto ele se fazia aluno e mestre na arte de a saborear, na tarefa de a confundir, de a consumir aos pedaços, de a chupar como caramelos, de a trincar suavemente como crosta de chocolate estaladiço.
Ela fingiu e rugiu... ronronou e capitulou...
Adormeceu de tanto tentar fingir, corpo abandonado no lençol revolto, membros dispostos em desordem, cabelos cheirosos de sexo e suor, faces rosadas da jornada.
Ele levantou-se, afastando-se da cama para a observar melhor.
Encostou-se à parede fria e sentiu num só arrepio: frio, contentamento, desejo e redenção.
Não mais se policiou.
As mãos fortes que tinham agora o cheiro dela, percorreram o caminho até ao desejo dele.
Fez por se lembrar como ela lhe tocara tantas vezes.
Sabia que eram ambos que estimulavam o seu sexo faminto.
Os seus odores misturados, o sabor dela na sua boca, a visão das curvas em abandono, a lembrança dos beijos selvagem trocados outras vezes, o vai e vem da mão que repousava no colchão mas que ele sentia quente apertado-lhe o pénis dilatado, mas sobretudo a visão dos olhos que semicerrados fingiam dormir e o sorriso que o espicaçava, para continuar, bastaram para se espraiar naquele dia em que o amor foi diferente.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

EVIDÊNCIAS IDIOTAS

















Os teus beijos são como murros no estômago...
Fazem-me perder o equilíbrio.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Senti saudades

Juro que tentei. Mesmo! Acreditem.
Mas infelizmente nada. Andei por aí de olhos e ouvidos abertos.
Vi, li, ouvi e pensei. No entanto, nada.
O humor conseguiu fazer-me rir, a poesia e as imagens lograram comover-me.
As injustiças a intolerância e a imbecilidade não puderam deixar de me revoltar.
Visitei amigos, recebi amores, revi paixões e ódios de estimação.
Mas nada, sempre nada.
Bem… nada, talvez não. Se andei, ouvi, vi, li, pensei, ri, comovi-me, revoltei-me, visitei, recebi e revi… apenas não escrevi.
E disso senti a falta.

sábado, dezembro 02, 2006

PERFEITO (2)

NADA É ABSOLUTAMENTE PERFEITO

foto ff retalhada por syl

quarta-feira, novembro 08, 2006

PERFEITO (1)


foto ff retalhada por syl

O meu amor é perfeito para mim.
Assenta-me bem. Não me fica largo nem apertado.
É confortável quase todas as horas do dia, o meu amor.
Não me lembro se o foi sempre, mas desconfio que sim.
O meu amor, não se sente ameaçado pela minha força, nem sobrecarregado pela minha fragilidade.
Conforma-se com os meus defeitos e tenta modificar as minhas virtudes.
O meu amor, não tem cara de anjo, porque eu não gostaria.
Mas tem olhos que faíscam de diabólica bondade.
É gentil, meigo e louco furioso, de uma só vez.
Quando estou menstruada, compra comprimidos e faz-me chá.
Acredita nas minhas fitas, mas esquece-se de me apaparicar.
Não me elogia amiúde, mas baba-se quando me observa furtivamente.
O meu amor não me olha de cima porque não é alto, nem de baixo, mesmo quando uso saltos. Passa-me o braço pela cintura e aperta-me bem ao seu lado.
Dá-me beijos quando já estou a dormir e telefona-me por nada.
Faz planos para mim, como se fosse meu pai, e aprende o que lhe ensino como se fosse meu filho.
Zanga-se comigo, porque mereço, e aprendeu a pedir desculpa porque eu gosto.
Tem o tamanho e o perfil certo para entrar em mim. Preenche-me profundamente, o meu amor.
Digo que é perfeito para mim, porque é o meu amor.

sexta-feira, julho 21, 2006

BURNING FIRE



















Deitados lado a lado, a quilómetros de distância, olhamos os nossos corpos nus e ardemos mais um pouco.
O incêndio dura já há dias e continuamos sem saber como o parar.
Receio mesmo que não o queiramos fazer. Atrai-nos o abismo, eu sei, já o previa.
Como Louva-a-Deus que copulam suicidas, também nós o fazemos deixando que nos ardam das entranhas até à alma, até que só fiquem as cinzas do que fomos. Temos a vã esperança de renascer mais fortes e perfeitos, da redenção.
Não te disse já, para não acreditares em contos de fadas e finais felizes?