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sexta-feira, março 02, 2007

DEPOIS DO SILÊNCIO















É suficientemente pacífico que a vida se estrutura por ciclos ou fases, quase comuns a todos os elementos de uma mesma sociedade e realidade cultural

É também certo que são simultâneos em grupos etários semelhantes.
Esta partilha que temos com aqueles a quem chamam de “pares” e que nós chamamos amigos, poderá talvez constituir um dos elos mais fortes, de partilha, de identificação de cumplicidade.


Brincadeiras e disparates, mal de amores, o primeiro beijo, dores de crescimento, dores de cotovelo, ir acampar, a primeira vez, substâncias hilariantes, relaxantes e excitantes, faculdade, primeiro emprego, sair de casa, (não necessariamente nesta ordem), torrentes de emoções…

Depois casamentos, projectos, filhos, sarilhos, separações, divórcios, tudo previsível ou nada previsto, tudo comum.
Agora (ou antes, ou depois), os quarenta e ter de usar óculos… Agora, (ou antes, ou depois), stress e depressões…

Por estes dias, as palavras de ordem no meu círculo são: MUITO, TRABALHO, FALTA, TEMPO, INSÓNIA…
Chega a ter piada, quando entramos à vez, cada um mais atrasado, nos locais de reunião.
- Então?
- Epá, muito trabalho, falta de tempo, insónia…
Quando entra o último, já o coro repete, entre risos de “partilha e identificação”: …balho… empo… sónia!!!
Depois discutem-se métodos adoptados, científicos ou alternativos: nomes complicados de indutores de sono, vinho tinto, whisky ou sexo…, quê?? Sexo?? Tenho lá tempo??

Causas e sintomas, todos identificamos, acabando por não reflectir efectivamente nos efeitos mais particulares, em cada um, ou será em todos? Pois claro! não temos tempo…
Tempo para nós, tempo para dar, tempo para ser, fazer, pensar, criar.
No entanto, the answer lies on us, como sempre!
Imersa em trabalho, tarefas pendentes, preocupações várias, cérebro ligado a mil, na resolução de problemas, não só não me ouvia pensar, como me convenci que não pensava nada, não achava nada, não criava nada.

Desagradável esta sensação de me ter tornado num robot… operante, em vigília, incapaz de produzir criativamente.
Ser uma espécie de ser congelado, num invólucro humanóide…
De madrugada, no meio duma insónia, lutando contra as intermináveis checklists, palavras surgem e agrupam-se, criam-se esquemas, formam-se sentidos.
Da terra de Sigmund, veio a tranquilidade:

Estou cansada, mas ainda viva e pensante. VIVA!


sábado, outubro 07, 2006

O ARREPIO E AS LÁGRIMAS DA ALMA



Caetano Veloso - Cucurrucucu Paloma

A voz de Cae, e o celo de Jacques, os culpados pelo arrepio.
E as lágrimas caem, apenas porque se existe.

quarta-feira, setembro 06, 2006

CLARO QUE TE AMO!

Fiz por me perder nas ruas movimentadas o que não foi difícil.
Barulho demais acaba sempre por se converter inevitavelmente em silêncio, e eu gostava disso. A ilusão do completo anonimato era quase total, nem os vidros das montras reflectiam a minha imagem, estive quase transparente.
Procurei esquecer o mel da tua voz e o mecanismo de despir que possuem os teus olhos, com hambúrgueres e gelados, satisfação imediata.
O sol dourou-me a pele e o caminhar enrijeceu-me uns quantos músculos.
Acabei por conhecer caminhos e atalhos, e se algumas vezes me encontrei na tua rua, não poderei evocar ter-me perdido, simplesmente não resisti.
Passei a espreitar-te por detrás da cortina porque não gostava de binóculos e julguei-me a salvo.
Poderia viver assim eternamente. Poderia? Apenas sentia a falta de quem eu era debaixo do teu efeito.
Do nada, quando me apanhaste distraída, surgiu o teu “já não me amas?”. Derrapei como pneu em óleo, mas aterrei de pé como sempre e não te respondi.
Não te amar seria não ser eu. Não se deixa verdadeiramente de amar, apenas se substitui o sentimento por outro revisto e actualizado.
Claro que ainda te amo…se é que alguma vez te consegui amar.

sexta-feira, setembro 01, 2006

AOS AMORES (3)

Damien Rice - The Blowers Daughter

Porque os mais belos são aqueles que nos molham de sal as faces,
que aceleram dentro do peito o músculo vital e nos fazem estremecer com apenas um beijo, apenas um olhar