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quarta-feira, novembro 01, 2006

PALAVRAS...

As palavras povoam-me até à hora de partirem.
Andam aos encontrões dentro do meu cérebro, insistentes, como canções ouvidas na rádio pela manhã.
Obcecam-me, martelando como palavras de ordem em manifestações inexistentes: Paz O Pão, Saúde, Educação!
Muitas vezes saem disparadas em cima do primeiro incauto que aparece, deixando-me órfã e desabitada.
Outras vezes deambulam por mim, acompanhadas pelos fantasmas residentes.
São caprichosas, obstinadas, selvagens até.
Nunca soube o que lhes fazer, até à hora que lhes cedi.
Agora levanto-me de madrugada e rabisco-as, ensonada, em envelopes, margens de livros ou lenços de papel (o que de momento estiver na mesa de cabeceira).

E elas ficam ali…a sorrir-me sem dentes.

quinta-feira, março 23, 2006

Lembro que me sentia algo como Alice, perdida entre espaços mais ou menos recônditos dentro do meu cérebro. Na maioria, o vazio.
De quando em vez, um túnel escuro e pouco apelativo.
De repente, abriu-se uma porta fechada que lembro tinha tentado ocultar de tal forma que a esquecera.
Abriu-se de uma forma urgente e autoritária, nada houve a fazer….
A curiosidade foi forte, de dentro irradiava apenas um leve clarão. Espreitei, e vi.
No centro uma amontoado de, ….de…. parecia fio ou fios, ou …cordéis!
Eram pedaços de cordel, de várias cores que quase não se distinguiam. Perto da porta estava a ponta. Cordel de mercearia, daquelas que já existiram e das quais querem agora fazer um revival tipo “pastiche”.
Peguei-lhe e puxei.
Achei engraçado. Lembrou-me qualquer coisa.
Puxei mais e vi que a ele estava atado a outro, diferente ou semelhante, não sei bem distinguir, estava atados, ou colados, ou mesmo fundidos com aquilo que me pareceu AÇÚCAR , refinado ou puro de cana. Colado com água (de lágrimas?) ou caramelizado (de temperaturas de paixões febris).
Segurei bem a ponta e levei comigo. Parece que um fio interminável me seguiu. Eu não sei. Não fiquei, nem olhei para trás.